Eu gosto muito de fazer reflexões sobre os acontecimentos, sobre a vida, sobre o que posso melhorar... Esses últimos anos me fizeram enxergar o quanto cheguei até aqui mais forte. Passei por mudanças drásticas — e acabei gostando. Conheci culturas diferentes, aprendi muito, evoluí demais. Ciclos se encerraram e outros começaram; algumas pessoas se afastaram, outras desapareceram, enquanto outras, que eu jamais imaginei, chegaram de forma muito especial.
Nesses anos, chorei, sorri, cantei, dancei, plantei, podei. Vivi dias felizes e outros nem tanto, mas tudo faz parte de um grande propósito.
Fui resiliência, fui alma limpa, e hoje meu coração se encontra em paz.
Mas há um ciclo que não quero fechar de jeito nenhum: aquele que vivi com uma pessoa muito, muito especial na minha vida, foram poucos anos, mas muito intenso.
Sinto saudade de quem eu era quando minha tia, a doce e inesquecível Pimentinha ainda estava aqui. Sinto saudade da calma que ela me transmitia, do sorriso fácil, da esperança, do otimismo, do jeitinho único que ela tinha de falar de amor e fé.
Vi como ela segurou o medo, a dor, a perda e a ausência. Vi como ela tentou ser forte, madura, vi como buscou compreender tantas coisas… e ninguém percebeu o quanto isso a destruía por dentro e por fora.
Você, minha amada tia Sam, segurou tudo. Lutou, extrapolou seus limites e, mesmo assim, não foi o suficiente. Ninguém te percebeu, te entendeu ou te poupou — justamente por causa de você se demonstrar tão forte, da sua fé inabalável e da sua calma. Não enxergaram que ser forte não significava estar bem.
Quem me dera, naqueles dias, ter mais idade para te proteger e te encher de paz. A mesma paz que você sempre me dava sem eu pedir, e que me fazia tão, tão bem.
Sinto sua presença por onde ando e carrego uma saudade imensa da sua presença física.
Hoje, enquanto muitos aguardam a queima de fogos com uma garrafa de champanhe nas mãos, eu estarei olhando para o céu, em silêncio, procurando você entre as estrelas — onde o meu amor sempre te encontra.





